Índice de conteúdos
Entre motores de jogo, linguagens de programação e tutoriais, podes ter dúvidas sobre a escolha da ferramenta “perfeita” para conceber um videojogo. A verdade é que não existe uma única resposta certa.
Escolher a melhor plataforma para criar videojogos depende do tipo de projeto, do nível de experiência e do dispositivo de destino.
De forma geral, Unity é amplamente usado em projetos mobile e indie; Unreal Engine destaca-se em produções com elevado realismo gráfico; GameMaker e Construct são comuns em jogos 2D e protótipos rápidos. Por sua vez, a linguagem varia consoante o motor: C#, C++ ou JavaScript.
Neste artigo, vais descobrir quais são as melhores plataformas para criar jogos, que ferramentas utilizar consoante os teus objetivos e que linguagem de programação faz mais sentido aprender, tudo explicado sem complicações.
No ensino superior, especialmente em áreas como Game Design e Games Development, é comum os estudantes acederem às ferramentas de criação de videojogos. No entanto, um dos equívocos mais frequentes é a utilização indiferenciada dos termos game engine e plataforma.
Embora estejam relacionados, não são o mesmo. Compreender esta distinção é essencial para uma formação técnica mais sólida e para uma visão mais crítica do ecossistema de desenvolvimento de jogos.
Um game engine (motor de jogo) é a infraestrutura técnica que permite desenvolver um videojogo. Trata-se de um sistema integrado que reúne diferentes componentes fundamentais para a criação da experiência interativa.
Entre as suas principais funcionalidades destacam-se:
Em contexto académico, o engine funciona como um laboratório técnico: é o ambiente onde os estudantes experimentam mecânicas, testam protótipos e desenvolvem projetos curriculares.
Alguns exemplos amplamente utilizados no ensino superior incluem:
Em termos simples, o game engine é o “motor” que faz o jogo funcionar.
Já a plataforma para criar videojogos refere-se, geralmente, a algo mais abrangente do que o motor técnico.
Uma plataforma inclui:
Por exemplo, ao trabalhar com a Unity, os estudantes não utilizam apenas o motor gráfico. Têm também acesso à Unity Asset Store, à documentação oficial, a cursos online, a comunidades globais de programadores e a ferramentas que permitem publicar jogos para diferentes dispositivos.
Neste sentido, a plataforma representa o ecossistema completo de aprendizagem, desenvolvimento e distribuição.
No contexto académico, distinguir engine de plataforma ajuda os estudantes a:
Além disso, esta distinção contribui para uma abordagem mais estratégica na formação: enquanto o domínio do engine reforça competências técnicas, o conhecimento da plataforma na sua totalidade amplia a compreensão do mercado, da comunidade e das oportunidades de publicação.
Atualmente, alguns motores de jogo destacam-se pela sua adoção na indústria e no ensino: Unity, Unreal Engine, GameMaker, Construct e Godot.
Abaixo, encontras um guia para perceberes qual é a melhor opção para ti, consoante o tipo de projeto, a experiência técnica e os objetivos criativos.
O Unity é um dos mais populares, sobretudo no universo mobile e indie. Utiliza C#, tem uma Asset Store com milhares de recursos e permite publicar o teu jogo em mais de 25 plataformas: iOS, Android, Microsoft Windows, WebGL, VR/AR, entre outras.
É ideal para ti se:
A curva de aprendizagem pode ser mais acessível, especialmente se já trabalhaste com alguma linguagem de programação. A comunidade é enorme, com tutoriais, fóruns e o Unity Learn, onde encontras cursos gratuitos.
Jogos criados com Unity: Hollow Knight, Monument Valley, Among Us.
Se o teu objetivo é criar jogos com gráficos incríveis, então o Unreal é a escolha certa. É muito utilizado por grandes estúdios para a criação de jogos para PC e consolas e dá-te duas formas de trabalhar: com código em C++ ou com os Blueprints (um sistema de programação visual que facilita a prototipagem).
É ideal para ti se:
A curva de aprendizagem é mais exigente, mas os resultados visuais compensam. Além disso, tens acesso ao MetaHuman Creator, que te permite criar personagens altamente realistas.
Jogos criados com Unreal: Fortnite, Gears of War, Street Fighter 6.
O GameMaker é perfeito para quem pretende criar jogos 2D e está a começar. Utiliza uma linguagem própria (GML) bastante simples, mas também permite criar com drag-and-drop. Além disso, dá para exportar para várias plataformas, sem quaisquer complicações.
É ideal para ti se:
Aprender GML é fácil, e a interface não te afoga com opções. É ótimo para desenvolver protótipos rápidos ou jogos completos com um toque retro.
Jogos criados com GameMaker: Undertale, Hotline Miami, Katana ZERO.
Se queres começar sem programar, o Construct é uma das formas mais simples de entrares no mundo do desenvolvimento. Utiliza lógica visual baseada em eventos (sem código tradicional), é focado em HTML5 e permite exportar para várias plataformas.
É ideal para ti se:
Embora seja muito rápido para começar, apresenta limitações técnicas em projetos mais complexos. Ainda assim, é uma ferramenta poderosa para testares ideias ou montares experiências web interativas.
O Processing não é um motor no sentido tradicional, mas sim um ambiente de programação criativa. É ótimo para experiências artísticas, instalações interativas ou jogos fora do convencional.
É ideal para ti se:
Trabalha com Java e é muito utilizado no ensino e em projetos de media art. Não é a melhor opção para jogos comerciais, mas é um ótimo ponto de partida para quem vem das artes visuais.
Há linguagens de programação que dominam o mercado: C#, C++ e JavaScript. Estas aparecem constantemente nas ofertas de emprego, nas formações e nos motores de jogo mais utilizados.
Resumo rápido:
Se vais trabalhar com Unity, vais trabalhar com C#. É uma linguagem moderna, orientada para objetos, bastante legível e com uma curva de aprendizagem equilibrada, mesmo que nunca tenhas programado antes.
Além disso, tem uma comunidade enorme, montes de tutoriais e documentação oficial a sério. E o melhor? Podes utilizar o que aprendes com C# noutras áreas também, de apps ao desenvolvimento web com .NET.
Resumo rápido:
Se o teu foco são jogos AAA, o C++ é a linguagem que vais encontrar por detrás dos mesmos. É utilizado no Unreal Engine e em muitos motores proprietários.
Com C++, tens controlo total sobre o desempenho, a memória e o processamento, mas também tens maior complexidade. A curva de aprendizagem é íngreme, por isso, se estás a dar os primeiros passos, pode não ser o ponto ideal de partida.
Resumo rápido:
Se queres criar jogos para browser ou apps híbridas (aquelas que funcionam na web e no telemóvel), então o JavaScript pode ser o teu melhor amigo. Com frameworks como Phaser, Three.js ou Babylon.js, consegues montar jogos 2D e 3D para HTML5 sem complicações.
O JavaScript é a linguagem mais utilizada na web e também te permite trabalhar tanto no front-end como no back-end, o que é ótimo se quiseres desenvolver tudo sozinho.
No fim do dia, o mais importante é começares com uma linguagem que faça sentido para o teu projeto atual. Não precisas de dominar todas de uma vez; começa com uma, cria qualquer coisa e o resto virá com a prática.
Com tantas opções no mercado, é normal sentires-te perdido. A melhor plataforma e a melhor linguagem para criar jogos dependem sempre do que queres fazer: o tipo de jogo, o dispositivo em que vai ser jogado, a tua experiência técnica e até os teus planos para o futuro.
Aqui vai um guia rápido para te auxiliar a tomares uma decisão mais confiante:
Não sabes programar e queres ver resultados rapidamente? Então o ideal é optares por ferramentas que facilitam o arranque:
Se já programaste antes (ou estás disposto a aprender a sério), podes ir mais longe:
Aqui, o foco é leveza, portabilidade e rapidez de desenvolvimento. A tua stack ideal pode incluir:
Atualmente, o mobile é uma das plataformas mais relevantes, e sim, há várias formas de lá chegares:
Se o teu sonho é ver o teu jogo na PS5, Xbox ou Steam, há duas opções principais:
Unreal Engine com C++ é o padrão da indústria para projetos AAA: gráficos de ponta, renderização avançada e controlo total.
No fundo, o truque está em escolher uma ferramenta que te ajude a avançar, e não uma que te prenda. Começa com o que tens, adapta-te ao que precisas e vai a mudar à medida que cresces como criador.
Se já tens alguma experiência no mundo do desenvolvimento de jogos e queres aprofundar ainda mais as tuas competências, há caminhos que te permitem ir mais longe, quer para te especializares numa área, quer para investires na investigação e na inovação:
Estas formações dão-te o contexto, a rede e as ferramentas para dares o próximo passo, seja na indústria, na investigação ou na criação de projetos próprios com mais profundidade e visão.