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plataformas para criar jogos

Como escolher a melhor plataforma para criar videojogos (Unity, Unreal, GameMaker e mais)

12 fevereiro 2026

Entre motores de jogo, linguagens de programação e tutoriais, podes ter dúvidas sobre a escolha da ferramenta “perfeita” para conceber um videojogo. A verdade é que não existe uma única resposta certa.

Escolher a melhor plataforma para criar videojogos depende do tipo de projeto, do nível de experiência e do dispositivo de destino. 

De forma geral, Unity é amplamente usado em projetos mobile e indie; Unreal Engine destaca-se em produções com elevado realismo gráfico; GameMaker e Construct são comuns em jogos 2D e protótipos rápidos. Por sua vez, a linguagem varia consoante o motor: C#, C++ ou JavaScript. 

Neste artigo, vais descobrir quais são as melhores plataformas para criar jogos, que ferramentas utilizar consoante os teus objetivos e que linguagem de programação faz mais sentido aprender, tudo explicado sem complicações. 

Plataformas para criar videojogos: o que são e porque é importante distinguir engine de plataforma

No ensino superior, especialmente em áreas como Game Design e Games Development, é comum os estudantes acederem às ferramentas de criação de videojogos. No entanto, um dos equívocos mais frequentes é a utilização indiferenciada dos termos game engine e plataforma. 

Embora estejam relacionados, não são o mesmo. Compreender esta distinção é essencial para uma formação técnica mais sólida e para uma visão mais crítica do ecossistema de desenvolvimento de jogos. 

O que é um Game Engine?

Um game engine (motor de jogo) é a infraestrutura técnica que permite desenvolver um videojogo. Trata-se de um sistema integrado que reúne diferentes componentes fundamentais para a criação da experiência interativa. 

Entre as suas principais funcionalidades destacam-se: 

  • Renderização gráfica (2D e 3D). 
  • Sistema de física e colisões. 
  • Iluminação e câmaras. 
  • Áudio. 
  • Animação. 
  • Gestão de cenas. 
  • Programação da lógica do jogo. 

Em contexto académico, o engine funciona como um laboratório técnico: é o ambiente onde os estudantes experimentam mecânicas, testam protótipos e desenvolvem projetos curriculares. 

Alguns exemplos amplamente utilizados no ensino superior incluem: 

  • Unity — muito adotado em cursos de Game Design pela sua versatilidade e curva de aprendizagem acessível. 
  • Unreal Engine — frequentemente utilizado em projetos que exigem maior qualidade visual e exploração de ambientes 3D complexos. 
  • Godot — alternativa open-source, relevante em contextos educativos e projetos independentes. 

Em termos simples, o game engine é o “motor” que faz o jogo funcionar. 

O que se entende por Plataforma de Desenvolvimento?

Já a plataforma para criar videojogos refere-se, geralmente, a algo mais abrangente do que o motor técnico. 

Uma plataforma inclui: 

  • O próprio engine. 
  • Loja de recursos (asset store – podes aceder via navegador ou Package Manage). 
  • Documentação técnica. 
  • Tutoriais e cursos. 
  • Comunidade e fóruns de suporte. 
  • Plugins e extensões. 
  • Ferramentas de exportação e publicação. 

Por exemplo, ao trabalhar com a Unity, os estudantes não utilizam apenas o motor gráfico. Têm também acesso à Unity Asset Store, à documentação oficial, a cursos online, a comunidades globais de programadores e a ferramentas que permitem publicar jogos para diferentes dispositivos. 

Neste sentido, a plataforma representa o ecossistema completo de aprendizagem, desenvolvimento e distribuição. 

Porque é importante esta distinção?

No contexto académico, distinguir engine de plataforma ajuda os estudantes a: 

  • Compreender melhor a estrutura tecnológica da indústria dos videojogos. 
  • Avaliar criticamente diferentes soluções tecnológicas. 
  • Desenvolver autonomia na escolha de ferramentas. 
  • Perceber que aprender um engine não é apenas aprender uma ferramenta, mas integrar-se num ecossistema profissional. 

Além disso, esta distinção contribui para uma abordagem mais estratégica na formação: enquanto o domínio do engine reforça competências técnicas, o conhecimento da plataforma na sua totalidade amplia a compreensão do mercado, da comunidade e das oportunidades de publicação. 

Principais plataformas para criar videojogos

Atualmente, alguns motores de jogo destacam-se pela sua adoção na indústria e no ensino: Unity, Unreal Engine, GameMaker, Construct e Godot. 

Abaixo, encontras um guia para perceberes qual é a melhor opção para ti, consoante o tipo de projeto, a experiência técnica e os objetivos criativos. 

Unity: o motor versátil para múltiplas plataformas

O Unity é um dos mais populares, sobretudo no universo mobile e indie. Utiliza C#, tem uma Asset Store com milhares de recursos e permite publicar o teu jogo em mais de 25 plataformas: iOS, Android, Microsoft Windows, WebGL, VR/AR, entre outras. 

É ideal para ti se: 

  • Estás a começar ou já tens alguma experiência. 
  • Queres criar jogos mobile ou multiplataforma. 
  • Vais trabalhar sozinho ou numa equipa pequena. 

A curva de aprendizagem pode ser mais acessível, especialmente se já trabalhaste com alguma linguagem de programação. A comunidade é enorme, com tutoriais, fóruns e o Unity Learn, onde encontras cursos gratuitos. 

Jogos criados com Unity: Hollow Knight, Monument Valley, Among Us.

Unreal Engine: o poder gráfico de nível AAA

Se o teu objetivo é criar jogos com gráficos incríveis, então o Unreal é a escolha certa. É muito utilizado por grandes estúdios para a criação de jogos para PC e consolas e dá-te duas formas de trabalhar: com código em C++ ou com os Blueprints (um sistema de programação visual que facilita a prototipagem). 

É ideal para ti se: 

  • Queres criar jogos com ambientes realistas ou mundos abertos. 
  • Tens alguma experiência em programação ou gostas de desafios técnicos. 
  • Pensas num projeto ambicioso ou a preparar-te para estúdios AAA. 

A curva de aprendizagem é mais exigente, mas os resultados visuais compensam. Além disso, tens acesso ao MetaHuman Creator, que te permite criar personagens altamente realistas. 

Jogos criados com Unreal: Fortnite, Gears of War, Street Fighter 6. 

GameMaker: ideal para jogos 2D e iniciantes

O GameMaker é perfeito para quem pretende criar jogos 2D e está a começar. Utiliza uma linguagem própria (GML) bastante simples, mas também permite criar com drag-and-drop. Além disso, dá para exportar para várias plataformas, sem quaisquer complicações. 

É ideal para ti se: 

  • Estás a dar os primeiros passos no desenvolvimento de videojogos. 
  • Queres conceber jogos como plataformas, puzzles ou RPGs 2D. 
  • Preferes uma ferramenta mais leve e direta. 

Aprender GML é fácil, e a interface não te afoga com opções. É ótimo para desenvolver protótipos rápidos ou jogos completos com um toque retro. 

Jogos criados com GameMaker: Undertale, Hotline Miami, Katana ZERO. 

Construct: desenvolvimento visual e rápido

Se queres começar sem programar, o Construct é uma das formas mais simples de entrares no mundo do desenvolvimento. Utiliza lógica visual baseada em eventos (sem código tradicional), é focado em HTML5 e permite exportar para várias plataformas. 

É ideal para ti se: 

  • Queres criar jogos sem escrever código. 
  • Participas num game jam ou na conceção de protótipos rápidos. 
  • Procuras algo simples para jogos educativos ou casuais. 

Embora seja muito rápido para começar, apresenta limitações técnicas em projetos mais complexos. Ainda assim, é uma ferramenta poderosa para testares ideias ou montares experiências web interativas. 

Processing: criatividade e arte interativa

O Processing não é um motor no sentido tradicional, mas sim um ambiente de programação criativa. É ótimo para experiências artísticas, instalações interativas ou jogos fora do convencional. 

É ideal para ti se: 

  • Gostas de combinar arte e código. 
  • Queres experimentar novas formas de jogar. 
  • Estás a explorar ideias mais visuais ou sensoriais. 

Trabalha com Java e é muito utilizado no ensino e em projetos de media art. Não é a melhor opção para jogos comerciais, mas é um ótimo ponto de partida para quem vem das artes visuais. 

Qual é a melhor linguagem de programação para criar jogos?

Há linguagens de programação que dominam o mercado: C#, C++ e JavaScript. Estas aparecem constantemente nas ofertas de emprego, nas formações e nos motores de jogo mais utilizados. 

C#: a linguagem do Unity (e não só)

Resumo rápido: 

  • Popular no desenvolvimento de jogos (especialmente com Unity). 
  • Sintaxe moderna, fácil de ler. 
  • Ótima para quem está a começar. 
  • Transferível para outras áreas. 

Se vais trabalhar com Unity, vais trabalhar com C#. É uma linguagem moderna, orientada para objetos, bastante legível e com uma curva de aprendizagem equilibrada, mesmo que nunca tenhas programado antes. 

Além disso, tem uma comunidade enorme, montes de tutoriais e documentação oficial a sério. E o melhor? Podes utilizar o que aprendes com C# noutras áreas também, de apps ao desenvolvimento web com .NET. 

C++: potência máxima (com curva a condizer)

Resumo rápido: 

  • Alto desempenho e controlo total. 
  • Utilizado em jogos AAA e Unreal Engine. 
  • Gestão manual de memória. 
  • Mais difícil de dominar, mas muito valorizado. 

Se o teu foco são jogos AAA, o C++ é a linguagem que vais encontrar por detrás dos mesmos. É utilizado no Unreal Engine e em muitos motores proprietários. 

Com C++, tens controlo total sobre o desempenho, a memória e o processamento, mas também tens maior complexidade. A curva de aprendizagem é íngreme, por isso, se estás a dar os primeiros passos, pode não ser o ponto ideal de partida. 

JavaScript: jogos web, rápidos e leves

Resumo rápido:

  • Pode ser usado para jogos web e mobile híbridos. 
  • Desenvolvimento rápido e leve. 
  • Muito útil fora do gaming (se quiseres explorar mais áreas). 
  • Full-stack: podes programar tudo, do jogo ao servidor. 

Se queres criar jogos para browser ou apps híbridas (aquelas que funcionam na web e no telemóvel), então o JavaScript pode ser o teu melhor amigo. Com frameworks como Phaser, Three.js ou Babylon.js, consegues montar jogos 2D e 3D para HTML5 sem complicações. 

O JavaScript é a linguagem mais utilizada na web e também te permite trabalhar tanto no front-end como no back-end, o que é ótimo se quiseres desenvolver tudo sozinho. 

No fim do dia, o mais importante é começares com uma linguagem que faça sentido para o teu projeto atual. Não precisas de dominar todas de uma vez; começa com uma, cria qualquer coisa e o resto virá com a prática. 

Como escolher a plataforma e a linguagem certas

Com tantas opções no mercado, é normal sentires-te perdido. A melhor plataforma e a melhor linguagem para criar jogos dependem sempre do que queres fazer: o tipo de jogo, o dispositivo em que vai ser jogado, a tua experiência técnica e até os teus planos para o futuro. 

Aqui vai um guia rápido para te auxiliar a tomares uma decisão mais confiante: 

Se estás mesmo a começar…

Não sabes programar e queres ver resultados rapidamente? Então o ideal é optares por ferramentas que facilitam o arranque: 

  • O GameMaker é ótimo para criar jogos 2D simples, como plataformas, puzzles ou RPGs retro. 
  • O Construct permite-te criar jogos com lógica visual, sem escrever uma única linha de código. Ideal para protótipos rápidos. 
  • O Processing é perfeito se queres aprender programação criativa de forma divertida, combinando arte e interação. 
  • Com estas opções, começas a perceber a lógica dos jogos sem te afogares nas complexidades técnicas. 

Se já tens alguma experiência em programação…

Se já programaste antes (ou estás disposto a aprender a sério), podes ir mais longe: 

  • Unity com C# dá-te versatilidade máxima. Perfeito para jogos 2D, 3D, mobile, VR… tudo o que quiseres. 
  • Unreal com C++ é a escolha certa se queres gráficos realistas, mundos abertos ou jogos de ação ao estilo AAA. 
  • Ambas exigem dedicação, mas abrem muitas portas na indústria. 

Se queres criar jogos web…

Aqui, o foco é leveza, portabilidade e rapidez de desenvolvimento. A tua stack ideal pode incluir: 

  • JavaScript com Phaser ou Three.js para criares jogos HTML5 que correm diretamente no navegador. 
  • O Construct, que exporta facilmente para HTML5, é uma alternativa visual para projetos web simples ou educativos. 

Se queres criar para mobile…

Atualmente, o mobile é uma das plataformas mais relevantes, e sim, há várias formas de lá chegares: 

  • Unity com C# continua a ser uma das opções mais completas para jogos mobile, com bom desempenho e exportação para Android e iOS. 
  • Se preferires uma abordagem web-first, também podes utilizar JavaScript com frameworks híbridas, como Phaser ou Babylon.js, para criares experiências jogáveis em vários dispositivos. 

Se queres criar para consolas ou PC (jogos AAA ou AA)...

Se o teu sonho é ver o teu jogo na PS5, Xbox ou Steam, há duas opções principais: 

Unreal Engine com C++ é o padrão da indústria para projetos AAA: gráficos de ponta, renderização avançada e controlo total. 

  • Unity com C# é também bastante utilizado, sobretudo em projetos indie ou AA, graças à sua flexibilidade e à curva de aprendizagem mais amigável. 

No fundo, o truque está em escolher uma ferramenta que te ajude a avançar, e não uma que te prenda. Começa com o que tens, adapta-te ao que precisas e vai a mudar à medida que cresces como criador. 

Formação avançada para criadores de jogos

Se já tens alguma experiência no mundo do desenvolvimento de jogos e queres aprofundar ainda mais as tuas competências, há caminhos que te permitem ir mais longe, quer para te especializares numa área, quer para investires na investigação e na inovação: 

  • Bachelor’s Degree in Games Development: lecionado em inglês, prepara-te para uma carreira internacional com foco em programação, motores de jogo e aplicações web e mobile.
  • Mestrado em Design e Produção de Jogos: ideal para aprofundares conhecimentos, experimentares novos formatos e trabalhares todas as fases do desenvolvimento de um jogo, do conceito ao lançamento. 
  • Postgraduation in Game Design: uma pós-graduação prática e multidisciplinar, lecionada em inglês, pensada para profissionais que já trabalham ou querem entrar no setor dos jogos. Vais aprender a criar experiências jogáveis, definir mecânicas, estruturar narrativas e dominar o design centrado no utilizador. 

Estas formações dão-te o contexto, a rede e as ferramentas para dares o próximo passo, seja na indústria, na investigação ou na criação de projetos próprios com mais profundidade e visão. 

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