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#CreatingCreators  

07/07/2021

"Lembro-me bem do primeiro dia, quando circulei pelos corredores e “respirei” toda aquela atmosfera de um curso de design” Nádia Lima , Alumni do IADE


Nádia Lima completou no IADE o Mestrado em Design e Cultura Visual e hoje é designer e webdesigner especialist na WGROUP United Solutions.

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Resume sucintamente o seu percurso profissional.

Iniciei as minhas atividades profissionais na área do design gráfico, no ano 2000, com o meu primeiro estágio curricular. Desde então não mais parei; tive a oportunidade de colaborar em ateliês de Design e Comunicação, e também em empresas ligadas à Tecnologia da Informação. Ao longo destes anos pude desenvolver-me como designer gráfica e webdesigner (front-end developer), inclusive como freelancer. Seja no ambiente digital ou impresso, o desenvolvimento criativo esteve sempre presente na minha carreira.

 

Qual foi o teu maior desafio profissional até agora?

O maior desafio profissional aconteceu entre 2017 e 2019: ao realizar a tão planejada mudança da minha família do Rio de Janeiro para Lisboa.

Em 2017 tive que desligar-me da empresa na qual trabalhei por 8 anos e tinha um cargo de líder de equipa, para ficar desempregada e recomeçar num país estrangeiro. Neste período, atuei como freelancer em projetos de curta duração.

Em 2019 veio a decisão de realizar um estágio profissional, para conclusão do Mestrado em Design e Cultura Visual: havia o desafio de voltar ao cargo de estagiário para reaprender o que fosse necessário e adaptar-me a novos conceitos num mercado diferente ao que estava habituada.

 

Que caraterísticas é que um Webdesigner Specialist deve ter para se destacar?

Ser especialista em determinado assunto traz responsabilidades que devem ser tomadas com cautela. A experiência traz mais cobranças e maiores desafios.

No campo do design voltado para web é exigido, além de um bom desenvolvimento gráfico, o estudo constante de plataformas e linguagens de programação, a fim de transpor conceitos criativos para páginas digitais, acessíveis via internet.

Há - nos dias de hoje - plataformas prontas, como o Wordpress e o Shopify, que permitem ao designer criar websites inteiros com um conhecimento mínimo de HTML e CSS ou outras linguagens de programação.

Então eu diria que, para se destacar, não basta apenas criar: há de se desenvolver muito bem o senso crítico. E não basta ter boas ideias, é preciso saber executá-las.

 

#creatingcreators: de que forma é que o IADE contribuiu para o profissional que és hoje.

O Mestrado no IADE aconteceu num momento de busca por uma reciclagem de conhecimentos teóricos e da necessidade de estar em contato com as tendências da área do design em Portugal e por toda a Europa.

O que me chamou a atenção, ao optar pela inscrição no Mestrado do IADE, foi a nomenclatura “Design e Cultura Visual”. Se, por um lado, parece demasiadamente genérico, por outro, é abrangente o suficiente para referir-se a diferentes aspetos da cultura visual (movimentos artísticos, infográficos, arte digital, etc).

Neste sentido, o IADE colaborou para o enriquecimento dos meus conhecimentos prévios, aumentando e diversificando o meu ponto-de-vista como designer. A diversidade de disciplinas do curso parece-me coerente e servem para aprimorar o trabalho de qualquer designer, do iniciante ao mais experiente.

 

Qual o projeto que mais gostaste de desenvolver no IADE?

Foram muitos trabalhos, teóricos e práticos, entretanto vou destacar dois que ajudaram a quebrar meus paradigmas:

  • Um ensaio para a Revista Cabinet, realizado na disciplina “Projecto de Cultura Visual”, ministrado pelo Professor Eduardo Corte-Real.

Pela primeira vez na vida tinha o desafio de criar um artigo para uma revista de arte. Além da complexidade do tema e necessidade de aprofundamento das referências de autores e críticos de arte, deveria escrever algo consistente com 8 a 12 páginas.

O tema foi escolhido em função das imagens recolhidas durante o semestre, naquela disciplina. Trouxe obras que retratavam a “agonia humana” e o artigo apontou como os artistas utilizaram-se do sofrimento em suas representações para exprimir sentimentos figurativos ou reais (manifestos) e dá-los certo tom estético, dignos de se chamarem "obras de arte". Veja a matéria em: https://nadialimadesigner.pt/wp/wp-content/uploads/2019/04/AVC_Cabinet_Agonia.pdf

  • O segundo trabalho que aponto, trouxe-me uma satisfação extra como designer, pelo seu resultado inusitado. O Professor Fernando Oliveira propôs na disciplina “Design Visual” a criação de uma “Mixed Identity”. Era preciso escolher duas empresas com conceitos de Branding opostos, e criar uma integração das marcas.

Optei pela fusão da marca Nespresso (elegante, culta, de público premium) com o canal MTV dos anos 1980 / 1990 (pop, experimental, público jovem). A junção das duas marcas resultou em algo inesperado: uma Nespresso pop, colorida e com características de street-art: http://www.nadialimadesigner.pt/iade/designvisual/DiagramaMixedID.pdf

Comercial-conceito: http://nadialimadesigner.pt/iade/designvisual/Comercial_NespressoPOP.mp4

 

Quais as skills mais importantes que adquiriste com o curso de Mestrado em Design e Cultura Visual?

Para mim, os dois aspetos mais importante do mestrado foram:

- A atualização dos meus conhecimentos teóricos e das referências visuais (após 10 anos do meu bacharelado); e

- Facilitação à entrada no mercado de trabalho português, através do estágio para conclusão do curso.

Qual o melhor momento que guardas do seu percurso pelo IADE?

Tive alguns bons momentos, entretanto lembro bem do primeiro dia, quando circulei pelos corredores e “respirei” toda aquela atmosfera de um curso de design: paredes decoradas, cartazes, alunos com os seus portáteis… Foi muito bom voltar à estudar num prédio onde a própria estrutura é um convite à criação.

 

Que conselho darias aos estudantes que estão, neste momento, a tentar vingar na área do Design?

Na minha opinião, para ter sucesso na área temos que unir duas características essenciais: repertório visual (e por isso o estudo é tão importante) e conhecimento técnico nas ferramentas de criação (principalmente nos softwares da Adobe). Sem uma delas, o trabalho do designer torna-se fraco ou sem personalidade.

Visitem museus, leiam bastante e coletem informações sobre artistas e designers: criem uma biblioteca visual tão rica que outros tenham vontade de consultá-la; e não esqueçam da tecnologia: estejam prontos a aprenderem novas ferramentas e estude para que a sua utilização torne-se intuitiva.

Quais foram os principais desafios que enfrentaste durante o percurso profissional?

O que posso destacar como desafio, ainda hoje, é a diversidade de ferramentas que precisamos utilizar e a rapidez com que necessitamos nos atualizar. Muitas vezes nos tornamos “experts” em algum software e poucos anos depois ele é descontinuado.

Quando iniciei o trabalho como webdesigner, no ano 2001, dominar o “Macromedia Flash”, por exemplo, era algo muito valorizado, além do HTML. Entretanto ele nem existe mais, porque os próprios navegadores não têm tecnologia que suporte esta linguagem.

Para trabalhar com web atualmente, tive que atualizar os meus conhecimentos de HTML, CSS, Javascript e outras plataformas - como Wordpress e o Shopify (para sites com e-commerce). Ou seja, estudar é importante e será sempre necessário para a profissão “designer”.

Pode solicitar mais informações sobre o Mestrado em Design e Cultura Visual, aqui.


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