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30/06/2021

COVID 19 o catalisador da mudança nos hábitos de consumo   


A pandemia já é vista como um acelerador de grandes mudanças na estratégia comercial das marcas a nível global e o agente de transformação de mentalidades, trazendo mais consciência para questões como o consumo e a sustentabilidade. 

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Figura 1 – Indicador de confiança dos consumidores, 2007-2021 (PORDATA) 

Após um ano de restrições e alterações ao estilo de vida e de compra motivados pela pandemia por COVID-19 ficou claro para todos que o mundo como o conhecemos mudou e tudo indica que esta será uma mudança irreversível. As pessoas estão a viver de maneira diferente, a comprar de maneira diferente e a pensar de maneira diferente.
Os novos comportamentos do consumidor extensíveis a todas as áreas da vida, desde o trabalho até à forma como fazem as suas compras e como ocupam o seu tempo de lazer e divertimento resultam agora em mudanças inesperadas com implicações importantes para as marcas, que não podem ficar indiferentes às alterações que os hábitos de consumo estão a sofrer.

Segundo a pesquisa efetuada pelo Observatório do IADE - Universidade Europeia, durante o ano de 2020, os consumidores realizaram mais compras online (45%) comparativamente a 2019, sendo que os bens mais adquiridos são vestuário, calçado e acessórios (66%), bem como alimentação e bebidas (57%). Contudo, de um modo geral, as compras foram efetuadas tanto nas lojas e aplicações online (61%) como nas grandes superfícies comerciais (69%), em que a grande motivação para a adesão ao online foi a maior comodidade (74%), e higiene e segurança (45%) no ato da compra, também proporcionada pelas grandes superfícies através dos serviços de take-way (55%) e home-delivery (76%).
Paralelamente, verificou-se um comportamento de compra mais consciente, entre os inquiridos com um maior interesse em adquirir produtos e bens locais (86%), nomeadamente na categoria de alimentação e bebidas, que resulta da preocupação em apoiar a produção e comércio local (64%). 48% dos inquiridos também demonstrou preocupações relativas à origem dos produtos, afirmando que isso influencia as suas compras, ainda que a informação disponível sobre a origem dos mesmos não seja suficiente.

Quanto à problemática do meio ambiente, 40% dos inquiridos responderam que estão dispostos a pagar um valor superior por um bem/serviço que reflita uma maior preocupação com a sustentabilidade.
Apesar destas alterações nos hábitos de consumo, os resultados indicam que os índices de confiança dos consumidores baixaram significativamente, ou seja, desde fevereiro de 2020 que se verifica alguma contenção no consumo, principalmente no que diz respeito aos bens considerados menos essenciais. Dados da PORDATA confirmam estes resultados registando no inicio de 2021 uma descida de 23,3% no indicador de confiança dos consumidores que começa, agora gradualmente, a mostrar sinais de recuperação.

Podemos concluir que, para além da aceleração da transformação digital, a pandemia também contribuiu para acelerar a mudança de consciência de consumo trazendo alguma reflexão para o momento de tomada de decisão de compra. É possível que estejamos perante o início de um movimento futuro focado na diminuição do desperdício alimentar, na maior consciencialização sobre a qualidade dos produtos adquiridos, no incentivo ao comércio local e na sustentabilidade no consumo e produção dos bens adquiridos.   

Como é que será que as marcas se irão posicionar face a estas alterações e mudanças, e como responderão as áreas do Marketing e da Publicidade para adequar as suas estratégias aproximando-se deste público cada vez mais atento e consciente? 

Artigo de opinião de Joana Carmo Dias, Docente do IADE e Sandra Rodrigues, Coordenadora do Observatório do IADE.

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